Contracampo

Contracampo

Wittgenstein, Bakhtin, Merleau-Ponty e Winnicott diante da linguagem: onde se aproximam, onde se atritam e o que cada um dá a um ficcionista que quer entender o que diz, por que diz e como diz.

Num campo/contracampo, cada câmera mostra um rosto e esconde o outro. A cena só existe na montagem. Aqui, cada autor filma a linguagem de um lado. Nenhum deles tem a imagem inteira, e a página não tenta conciliá-los. Ela os põe frente a frente para que o atrito trabalhe.

O fio condutor é uma pergunta prática: como flagrar os automatismos aprendidos e corrigir a posição para o aqui e agora? Por isso o automatismo, o secreto e a presença aparecem como eixos próprios.

Use os botões de autor no topo para destacar uma só voz em todos os eixos. Clique de novo para ver as quatro.

As quatro posições

Eixos de confronto

Cada eixo traz uma pergunta, as quatro respostas, o que as aproxima, o que as separa, o que isso dá ao ofício e um exercício de flagrante.

Matriz

Uma linha por eixo, em uma frase. Clique no eixo para abrir o detalhe.

Atritos que não se resolvem

Nem tudo é questão de perspectiva. Estes são os pontos em que, se você adota um, precisa recusar o outro, ou pelo menos sustentar a tensão sabendo que ela existe.

Bancada

Os conceitos ficam na estante. Na mesa de trabalho, cada autor vira uma pergunta.

Protocolo de flagrante

Antes de escrever
  1. Para quem é isto? Para o público de agora ou para o superdestinatário (Bakhtin)?
  2. Estou brincando ou cumprindo (Winnicott)?
Durante
  1. Não vigiar. Deixar o gesto espontâneo vir (Winnicott).
  2. Deixar a frase descobrir o que pensa (Merleau-Ponty).
Na revisão
  1. Ler como texto de outro: que vozes falam aqui (Bakhtin)?
  2. Marcar o que veio pronto, a fala falada (Merleau-Ponty).
  3. Onde travou: problema real ou nó de linguagem (Wittgenstein)?
  4. Preservar uma parte intacta, não flagrada (Winnicott).

Glossário mínimo

Fontes e limites

Os textos desta página são paráfrases, não citações das suas edições. Os parágrafos das Investigações aparecem com §. Os termos de Bakhtin seguem, quando diferem, a forma "(B. …)" da tradução de Paulo Bezerra. Esta é uma primeira versão, para ser alimentada com os trechos das suas edições.